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sábado, 26 de fevereiro de 2011

O peso que agente leva.




"Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve."

Trecho de " O peso que agente leva.."- Padre Fábio de Melo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Como diz a minha mãe: A vida só é dura pra quem é mole. Por isso, não pense que só por que as coisas estão difíceis hoje, elas continuarão difíceis amanhã. Pense positivo, contagie as pessoas com aquilo que você tem de melhor e creia, no final, tudo fica do melhor jeito, e como de fato deve ser. Deus abençõe vocês.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Meu abrigo


                       
Algumas circunstâncias da vida nos forçam a procurarmos abrigo. Seja uma chuva inesperada, um sol escaldante; ou até mesmo aquelas vezes em que nos deparamos com uma situação constrangedora e pensamos: Tudo o que eu preciso agora é de um buraco pra me esconder!
Há muitas formas de abrigo. Há aqueles mais aconchegantes, no qual você se sente bem e acredita que um mais agradável não exista. Há aqueles mais rústicos, arcaicos, não muito atraentes.
Um dia descobri que um abrigo não poderia ser somente um lugar. Descobri que abrigo também poderia ser uma pessoa. Agora se pergunte: Como? Acredito que só entende mesmo quem já encontrou. Vou descrever o que encontrei.
Eu tenho um amigo. Não um simples amigo. Ele é o melhor! Nunca consegui defini-lo muito bem, embora tente sempre, ele é uma porção de coisas. Ele é alto, bem alto. É inteligente, quase um jornalista. Agora, resolveu virar administrador. Sempre foi um homem de muitos amores, mas agora ele resolveu interromper as buscas. Apaixonado pela Keila, ele quer casar e ter filhinhos. Ele é engraçado, bem engraçado. Nunca ri das minhas piadas sem graça, mas sei que ele adora ouvi-las. Ele tem um grande coração, sem dúvida, o coração mais incrível que já conheci. É São Paulino. Tem uma coleção de camisas de time de futebol, melhor dizendo, ele adora colecionar, principalmente ex- namoradas. Ah, ele é super sentimental. Aliás, sempre contradizemos; ele fica com a emoção e eu com a razão, SEMPRE! Ele não é bom em dar conselhos, não pra mim; no fundo sei que preciso deles, mas não sigo nenhum. Ele se importa com as pessoas, com a justiça e quer ver sempre quem ama muito bem. Ele tem ciúmes de mim, mas deseja que eu seja muito feliz. Não gosta de me ver chorar, mas tem uma frase que me fortalece sempre em situações ruins, ele simplesmente diz: Tô aqui, filha.
Essa última frase é bem verdade, pois ele é quase um pai. É ele que me cobra para que meus planos saiam do papel. Ele se preocupa, me apóia, me ajuda. Diz que eu sou viciada em café, acha minha voz linda e faz eu me sentir sempre a melhor de todas. Amigo é a palavra que mais o define. Nossa sintonia vai além de qualquer coerência. O vernáculo desnecessário para a comunicação. Só de me ouvir, ele sabe como estou. Ele me acalma, me tira do sério. Já me fez perder o sono, já me fez perder a razão.
Portanto, ele se tornou o meu abrigo. Se chover eu corro pra ele, se faz calor eu corro pra ele. Se fico triste, feliz, empolgada, desordenada, atarefada, disponível, sozinha, acompanhada, eu corro pra ele. Por que ele é o meu abrigo, é o meu anjo. Nossa amizade é genuína e pra sempre, e até onde eu sei, o pra sempre, não tem fim.

Dedicado ao meu grande – literalmente – amigo, Kleber Amorim.

Giovanna Belém

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O homem trocado.

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?


 Luís Fernando Veríssimo.